O ano de 1983 é conhecido pelo Crash dos Videogames, um evento que marcou a crise econômica e o fechamento de grandes estúdios e fabricantes de videogames nos Estados Unidos. E apenas nos Estados Unidos.
No Brasil, por exemplo, esse mesmo ano está longe de ser lembrado como uma crise. Pelo contrário, o ano é marcado pela explosão de um pequeno, mas crescente mercado nacional de videogames, como abordado pelo documentário 1983 - O Ano dos Videogames no Brasil, de Marcus Garrett.
Já no Japão, 1983 foi o ano em que a Nintendo lançou seu Family Computer, ou Famicom, o videogame que marcaria toda uma geração de jogadores no mundo todo.
O console, fruto dos esforços da Nintendo em produzir um hardware próprio após o sucesso de alguns de seus fliperamas, como Donkey Kong e Mario Bros., rapidamente se tornou um grande sucesso, colocando a empresa na liderança quase absoluta da indústria japonesa de games.
“Quase” absoluta, pois, no mesmo ano, a Sega também desenvolveu seu console: o SG-1000, projetado para competir com o Famicom. em comparação com o sucesso do Famicom, o SG-1000 não impressionou muito os japoneses, mas serviu como aprendizado para a Sega, empresa já experiente com fliperamas.
Este aprendizado foi utilizado para aprimorar o console, com a Sega relançando-o como Sega SG-1000 II e, posteriormente, Sega Mark III. Esses consoles, por sua vez, seriam relançados mundialmente como Sega Master System.
O Famicom foi lançado nos Estados Unidos em 1985 com um novo nome, novo visual e uma grande estratégia de marketing, ressuscitando o mercado norte-americano de videogames. O Nintendo Entertainment System (NES) foi um verdadeiro fenômeno na terra dos Yankees, quase monopolizando o mercado e jogando empresas como a Sega e a Atari para o escanteio.
Na Europa, entretanto, a situação foi inversa. O Master System conquistou o mercado europeu, dividindo espaço com computadores como o ZX Spectrum e o Commodore Amiga. No Brasil, o surgimento da Tectoy garantiu a presença da Sega em um mercado dominado por clones do NES, devido à ausência oficial da Nintendo no país.
Bem-vindo a próxima fase
A competição dos consoles da Nintendo e Sega marcou as 3ª e 4ª gerações de consoles durante os anos 90!
Com o mercado dominado pela Nintendo e a Sega buscando expandir sua participação, a empresa encontrou uma solução em um de seus fliperamas. A placa System-16 serviu de base para a criação do Mega Drive, que, devido a problemas com o nome nos Estados Unidos, foi chamado de Sega Genesis na América do Norte.
Junto com o novo console, a Sega lançou uma agressiva campanha de marketing que não apenas exaltava o poder do Mega Drive, mas também sugeria que a Nintendo não era capaz de fazer o mesmo com o NES.
O Mega Drive tornou-se uma sensação nos Estados Unidos e logo chegou ao Brasil. No Japão, no entanto, o “Megão” sofreu com a alta popularidade do Famicom, apesar de seus gráficos inferiores. Além disso, teve que competir com o sucesso do PC Engine, um console da NEC, acessível e com uma vasta biblioteca de jogos que atraía mais o público japonês do que o catálogo da Sega.
A guerra esquentou quando a Nintendo finalmente igualou o nível do Mega Drive, lançando, em 1990 no Japão, o Super Famicom, que chegou ao resto do mundo no ano seguinte com o nome Super Nintendo.
O Super Nintendo começou muito bem, com maior capacidade gráfica e jogos como Super Mario World, The Legend of Zelda: A Link to the Past e Super Castlevania IV. Tudo indicava que a Nintendo recuperaria rapidamente sua posição no mercado.
Mas, em 1991, o mesmo ano em que o Super Nintendo foi lançado, a Sega respondeu com Sonic the Hedgehog, seu novo mascote, que se tornou uma sensação da década de 1990. Os jogos do Sonic colocaram a Sega de volta ao páreo, competindo diretamente com o Super Nintendo.
O que se viu nos próximos anos foi uma chuva de provocações de ambos os lados no mercado norte-americano. No Brasil, a chegada oficial do Super Nintendo em 1993, por meio da Playtronic (uma parceria entre a Estrela Brinquedos e a Gradiente), apesar de tardia, foi bem-sucedida, rapidamente conquistando uma fatia do mercado e dividindo espaço com o Mega Drive da Tectoy.
Nos primeiros anos, a Sega liderou o mercado mundial de videogames. O ano de 1993 é considerado o auge da empresa, quando sua presença se expandiu além dos videogames, patrocinando eventos como o Grande Prêmio da Europa de Fórmula 1, vencido por Ayrton Senna. No entanto, a maré começou a virar em 1994, quando a Nintendo lançou seu contra-ataque.
É Nintendo ou nada!
As provocações em comerciais nos anos 90 eram constantes e a campanha "Play it Loud" marcou a geração do SNES
A campanha multimilionária Play It Loud colocou a Nintendo no mesmo nível de marketing agressivo da Sega. Enquanto isso, a Sega voltava sua atenção para a nova geração de consoles, desenvolvendo o Sega Saturn, ao mesmo tempo em que periféricos como o Sega CD e o 32X fracassavam em vendas, colocando o Super Nintendo em uma posição de vantagem.
A preferência por RPGs no fim da vida útil do Super Nintendo, as boas vendas da trilogia Donkey Kong Country e Super Metroid, e o sucesso da campanha Play It Loud consolidaram a liderança do Super Nintendo naquele ano. O Mega Drive foi descontinuado nos EUA em 1997 e o Super Nintendo em 1999. Foram 49,1 milhões de vendas totais para o Super Nintendo, contra 30 milhões do Mega Drive.
SEGA fazia seus próprios comerciais em combate e que gerou uma tensão entre as marcas e o público, gerando uma certa competição comercial e cultural entre ambas
A batalha entre as duas empresas também se estendeu ao mercado de videogames portáteis. A Nintendo manteve uma liderança absoluta com o Nintendo Game Boy, enquanto a Sega tentou conquistar parte do mercado com o Sega Game Gear. Ambos os consoles possuem jogos memoráveis, com Tetris, Super Mario Land e Pokémon liderando as vendas no Game Boy, enquanto a Sega adaptava os clássicos Sonic do Master System para o Game Gear.
No fim, o que prevaleceu foram as vantagens do Game Boy como hardware: menor, com muito mais tempo de funcionamento e menor consumo de baterias, garantindo que o público permanecesse fiel à Nintendo.
Depois da guerra
Para a infelicidade da SEGA, o Saturn não foi um sucesso, e o N64 conseguiu se manter bem com memoráveis títulos!
A nova geração foi marcada pelo lançamento desastroso do Sega Saturn em 1994 no Japão e em 1995 nos EUA. Enquanto isso, a Nintendo demorou para lançar o Nintendo 64, em 1996. Ambos os consoles enfrentaram o maior desafio até então: a entrada da Sony no mercado com o PlayStation, que dominou o mercado de consoles 3D.
No final, tanto a Sega quanto a Nintendo saíram machucadas dessa guerra. A Sega sofreu enormes prejuízos com o fracasso do Saturn e a alienação de seu público. Tentou se recuperar com o Dreamcast, e embora a situação estivesse delicada, parecia que as coisas estavam voltando aos trilhos. No entanto, o lançamento do PlayStation 2 selou o destino da Sega, que, para evitar a falência, abandonou o mercado de consoles em 2001, tornando-se apenas um estúdio de games.
A Nintendo, por sua vez, permaneceu no mercado de consoles, mas levou três gerações para voltar a ser competitiva. O Nintendo 64 teve vendas decentes, mas muito aquém do sucesso do Super Nintendo. Já o sucessor, Nintendo GameCube, vendeu mal comparado ao PlayStation 2 e ao novo concorrente, o Xbox da Microsoft. A Big N só voltaria ao sucesso com o lançamento do Nintendo Wii, a partir de 2006.
Hoje em dia, muito se fala sobre uma nova guerra de consoles, que começou em 2006 entre a Microsoft e a Sony, com seus consoles Xbox e PlayStation, disputando o mercado. Entretanto, a situação é bem diferente do que aconteceu na década de 1990, com a prevalência dos computadores e smartphones, a diminuição dos exclusivos em cada console e a persistência da Nintendo, cujo Switch conquistou o público casual.
Mas será mesmo que alguém sente falta de quando gamers de dividiam em tribos e discutiam entre si qual versão do MESMO jogo é o melhor? Deixem de discutir e JOGUEM!